Blog do orlando tambosi a suécia é uma lição ou um susto ou será que os bárbaros vêm aí dolor cadera izquierda y zona lumbar

Primeiro ponto: o que se passou na suécia? Apenas mais um episódio da erosão dos partidos dominantes a par com a subida de partidos que desafiam os consensos estabelecidos. Os democratas suecos, o partido descrito como xenófobo e eurofóbico, teve um bom resultado, mas menos bom do que previam as sondagens. Mesmo assim contribuiu para um cenário de quase ingovernabilidade, já que nenhum dos dois habituais blocos políticos (centro-esquerda e centro direita) tem maioria e os democratas suecos, com 62 deputados, dificilmente podem ser ignorados. Nicholas aylott, um professor de ciência política da universidade de södertörn faz, em what sort of government might sweden have after the election?, uma boa síntese dos cenários em cima da mesa, sendo que depois de lembrar que um diário sueco já conseguiu elaborar uma lista de 12 possíveis soluções governativas, acaba por desdramatizar a situação: “quite possibly, then, sweden will emerge with a rather extreme form of minority government – one whose only party has attained just a quarter or even a tenth of the seats in parliament.


That is a recipe for slow, painstaking legislative negotiations on everything. It might not be what sweden really needs. But it is not a recipe for chaos. In parliamentary politics, especially in sweden, it may be better to be tolerated than liked.”

Mas será que venceu mesmo? Será que aquilo a que assistimos pode ser simplesmente classificado como “nacionalismo xenófobo”? Esta questão faz todo o sentido por três ordens de razões, como já veremos: primeiro, porque na crise dos imigrantes de 2015 a suécia foi o país que, em termos proporcionais, mais pessoas recebeu, o que criou problemas ao seu estado social; depois, porque grandes movimentos de população sempre causaram problemas e violência, muito antes dos populistas modernos; por fim, porque os problemas levantados pelos democratas suecos eram tão reais que acabaram por ser adoptados por praticamente todos os partidos políticos, mesmo à esquerda. É isso mesmo que nos relata fraser nelson, da spectator, em the new swedish lesson: populism can be kept at bay by listening to voters: “listening to the last swedish leaders debate (which I wrote about) I was struck by how every single leader wished to say to voters: we hear you. The immigration, and the related crime, has got out of hand. Let us count the ways in which this has gone too far.” em concreto: “the liberal leader spoke about islamist free schools. The conservative leader spoke about immigrant gangland crime and their murders. The christian democrat leader spoke about “honour repression” of girls in families. The collective effect, I suspect, was have been to persuade a good many swedes that they don’t need to vote for akesson to have their concerns taken seriously. Sweden’s famously narrow “opinion corridor” had widened quite a lot by the end of the campaign.”

Um segundo ponto que referi relativo ao cuidado a ter com o uso imoderado das condenações por “xenofobia nacionalista” é recordar as lições da história e a própria natureza humana, que é o que é. Volto ao handelsblatt que publicou um interessante texto de daniel grosque sublinha precisamente um destes aspectos. Em why migration fuels sexual as well as economic fears defende que os sentimentos anti-imigração não são apenas derivados do medo económico: “there is another potential explanation, rooted in evolutionary psychology. One trend that is rarely mentioned in migration discussions is the rise in the share of men among refugees and asylum-seekers. In the last three years, men – many of whom are aged 18-35 – comprised more than two-thirds of all people seeking protection in germany. Whereas the total number of refugees as a share of germany’s total population is small (2.5%), refugees form a far larger share of germany’s young male population. The impact is particularly noticeable in eastern germany, which already suffered from a gender imbalance (…). As a result, a significant share of eastern germany’s young male population has little chance of finding a partner and starting a family. Research shows that when there are significantly more men than women, the increased competition for female partners can lend itself to violence.”

E porque é que isso aconteceu? Uma resposta interessante foi a dada por joão carlos espadano observador, em agora, até na suécia!… O seu argumento central é que factos como os que tenho vindo a elencar “estão a refutar as respostas politicamente correctas que até aqui têm inundado a comunicação social e os meios ‘bem pensantes’. Dizem eles que está a ocorrer uma onda ‘nacionalista’, ‘soberanista’ e ‘extremista’ contra os ideais ‘trans-nacionais’ ou ‘supra-nacionais’ ou ‘multiculturais’ da democracia liberal.” ora, escreve mais adiante, “como escreveu o norte-americano william galston na mais recente edição da britânica the spectator, ‘um internacionalismo desenfreado alimentará a sua antítese: um nacionalismo desenfreado’.” em concreto, “se os partidos clássicos aceitarem a errónea identificação da democracia liberal com a utopia supra-nacional e a imigração ilimitada, alguém vai aparecer no mercado eleitoral para oferecer o que os partidos clássicos não oferecem: a defesa do legítimo sentimento nacional.” nessa altura podem surgir políticos tudo menos recomendáveis, mas se o texto da spectator que referi mais atrás estiver certo, não foi que, pelo menos para já, aconteceu na suécia.